É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.
É meu troféu, é o que restou,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços ela não se aninha,
A dor é minha.
É o meu lençol, é o cobertor,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor (...)
Comentário: Tristeza superlativa. Leva-nos até a sentir uma dor no peito. A letra dessa música descreve tão bem a solidão, que nos é possível visualizar o sujeito vagando, solitariamente, pela sua casa. É possível sentir a dor que ele está sentindo. Vejo-me lhe dizendo: Sai dessa. Desencana e parte para outra. Mas acho que ele não escutaria. Existem momentos que preferimos ficar curtindo uma fossa. A dor-de-cotovelo é descrita de uma forma tão lírica e bela nessa letra, que comprova que a arte é capaz de transforma até a dor em algo sublime.
José Rosa ( ZeRo S/A)